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7.2.07 • 15:50
Política etc
Fabiano Carnevale

De Corpo e Alma

Para os desavisados vale a advertência: períodos eleitorais em Porto Claro provocam chuvas e trovoadas. Principalmente com o surgimento do novo partido, que tem o corpo e a alma do campo majoritário do PT brasileiro. As semelhanças entre esses dois movimentos vão além da filiação/simpatia partidária macro dos seus fundadores.

O discurso arrogante, que se auto-imputa uma determinada superioridade numérica, provoca propositadamente a desideologização dos processos políticos, como se as escolhas democráticas fossem escolhas de afinidade e não de idéias. Personalizam as divergências políticas para fugir do debate franco e aberto que a democracia exige.

Em outras palavras, o P3D já começa sua trajetória como um partido mesquinho. Sob o discurso da novidade, as afirmações dos principais dirigentes cheiram a mofo antiquérrimo. Estão caindo na tentação de utilizar o Estado na campanha, e o processo começou pela ANN. Aliás, a ocupação política do órgão é uma grave falha que o governo insiste em fingir que não existe.

A principal diferença entre o campo majoritário petista e os 3D's é que neste último são vários os "Zés Dirceus"...


Saída Tardia

A saída de Paulo Azize da SCJ retira do Judiciário o peso de sua presença. Totalmente incompatível com o cargo, o xerife utilizou seu cargo para, entre outras coisas, pressionar o parlamento, ameaçar cidadãos e fazer política nas suas setenças, além de transformar a Justiça numa entidade praticamente inacessível ao - para utilizar um termo cunhado pelo próprio - "portoclarense comum". Já foi tarde.

Adamastor, o Burocrata

Adamastor acredita em tudo o que os políticos portoclarenses falam e tem carteira do Clube dos Adoradores de Luca Dalbianco (o famoso CALUDA). É a favor da filiação política dos juízes porque assim pode escolher melhor o seu predileto, igual nas eleições.

De: Anabela Gradim, Para: Direção da ANN Sr. Diretor da ANN,

Se a função do jornal é informar os seus leitores, tal significa, em primeiro lugar, que a coisa mais importante do jornal, a única coisa importante, são as suas notícias. Não são, pois, os jornalistas, as emoções dos jornalistas, os perigos que correu, as batalhas que travou, bem como a sua pequena sede de fama e estrelato, assuntos que mereçam ser noticiados. O jornalista não é notícia, não é a notícia, e, pese embora a crescente pressão motivada por uma concorrência feroz entre os media, não deve nunca confundir-se com ela.

Sendo o jornal uma empresa que produz e divulga notícias, não pode servir interesses criados, nem outros interesses que o seu interesse de informar. O jornal não serve para dar cumprimentos, tecer loas, promover partidos, personalidades ou ideais, ganhar eleições, forjar mitos, arregimentar hostes ou empreender guerras santas. Nem o inverso. O jornal não serve para desacreditar pessoas ou instituições, pagar favores, perseguir inimigos, encetar campanhas, comprometer-se com acções de propaganda ou servir de trampolim para se atingirem fins velados de natureza pessoal.

Entende-se como parte fundamental do serviço prestado por um jornal o contributo que este presta para a análise dos acontecimentos, o esclarecimento e a formação dos seus leitores. E por isso a opinião não é parente pobre da informação, nem vice-versa. São produtos diferentes, que visam objectivos diferentes e possuem igual estatuto e dignidade.

Anabela Gradim é professora de comunicação social da Universidade Beira Interior, em Portugal. O texto acima foi retirado do "Manual de Jornalismo", que pode ser encontrado, na íntegra aqui.



Fabiano Carnevale
é o Presidente do Senado de Porto Claro

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31.1.07 • 15:02
Política etc
Fabiano Carnevale

A nova configuração política de PC

A criação de um novo grande partido de centro-direita e a reaglutinação do campo progressista dentro da Frente Plural é a mais interessante movimentação política do país dos últimos anos. A aliança conservadora que se forma (e que vai unir o PSDN carnalmente e o PDL pontualmente) é uma reação direta ao processo de retomada da política promovida pela centro-esquerda no país.

Surgindo como um movimento oportunista para garantir legenda à reeleição do presidente, o P3D (que mais parece nome de software gerenciador de placa de vídeo) acaba de ser fundado, se declarando democrata, da diversidade e do desenvolvimento. É a nova face do centrismo desideologizado que volta e meia seduz os menos capacitados para o diálogo democrático.

A ironia é que o novo partido esvazia e se apropria do papel que o PSDN ocupava no cenário político. Vai restar ao velho partidão ser intestinalmente ligado ao P3D, formando uma espécie de federação informal. Vai voltar aos tempos da longa aliança com o PN, sendo que dessa vez caberá aos sociais-democratas o papel de coadjuvantes. No máximo, conseguirão uma "concertación" à moda de Porto Claro, mas os quadros do PSDN estão velhos e cansados...

O PDL deve seguir na sua trajetória azeda - fazendo acordos eleitorais pontuais com todos os partidos -, ainda que também tendam a perder espaço para o novo partido.

Com um projeto político divergente, surge uma rearticulação da centro-esquerda a partir da Frente Plural. A saída dos gustavistas, revitalizou o movimento. Depois de alguns meses numa disputa intensa entre significados e discursos, a saída do trio direitista demonstra a vivacidade do movimento. Mesmo em minoria internamente, conseguimos resgatar o espírito rebelde dos primeiros dias da FP. A partir de divergências pontuais, reconquistamos o espaço de discussão interna a partir da consistência de nossas colocações e pela irrefutabilidade dos fatos apresentados.

O reconhecimento desta reconquista vem acompanhado do amadurecimento de uma aproximação entre a esquerda da FP, o PSL de Edson Veloso e a quase mítica presença de Rafael Braga, para a disputa eleitoral e mais além, para formar uma nova frente de debates e proposições progressistas.

É um momento sui generis. Quem for ativo, verá...

PSCJ?

Dois dos três juízes da Suprema Corte de Justiça assinam o manifesto de fundação do novo partido. É ruim para a democracia, péssimo para a Justiça e temerário para a sociedade que toda a SCJ esteja envolvida em movimentos partidários.

Adamastor, o burocrata

Adamastor está empolgado como poucas vezes antes e até já comprou um botton do novo partido.

Tia Fátima, a professorinha

Tia Fátima está encontrando dificuldades para compreender algumas pérolas do gustavo-azizismo no manifesto do P3D. Ela não sabe explicar o que os çábios quiseram dizer quando afirmaram que "Porto Claro é maior que questões partidárias pessoais". Não sabe se estavam dizendo que partidos são pessoais ou que as pessoas são partidárias. Para quem se diz cansado de ambiguidades, o novo partido já começa em crise.

Fabiano Carnevale
é o Presidente do Senado de Porto Claro

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19.1.07 • 14:46
Política etc
Fabiano Carnevale

A esquerda contra o pão com manteiga

O fim do PV, a intensa disputa de significados na Frente Plural e a fraqueza numérica do PSL, colocam novamente a necessidade de uma frente articulada a partir de uma plataforma política clara, democrática e progressista.

Primeiramente, seria importante contextualizar o que seriam as idéias de esquerda na Porto Claro atual. Não tenho dúvidas de que entre a esquerda da FP, o PSL de Edson Veloso, Rafael Braga e alguns setores do centro, como o Sávio Erthal, existem diversos pontos em comum, e que necessitariam ser trabalhados juntos.

Na minha opinião, a grande diferença entre direita e esquerda hoje em dia se dá no plano da "segurança". A aliança conservadora (hoje uma espécie de geléia geral entre PSDN, os gustavistas da FP e o PDL), defende um país cada vez mais desconfiado e punitivo. Priorizam as leis e regulamentos em detrimento da política do cotidiano, aquela que falávamos já em 1997, na fundação do Partido Verde.

Essa opção pela burocracia estatal, busca transformar a política num conjunto de regras onde as divergências só podem ser resolvidas com questões legais e não com idéias. Nesse aspecto, é exemplar o debate impulsionado pela proposta de extinção da pena de expulsão.

Quando perderam nas idéias, incurtiram na sociedade a imagem de que era uma proposta incompleta do ponto-de-vista jurídico, como se as pessoas estivesses cometendo um crime ao votar pelo fim da expulsão. Omitiram deliberadamente que a consulta popular visa provocar opções ideológicas e apontar aos legisladores as mudanças que estiverem mais de acordo com o sentimento geral da sociedade.

Ao apelar para o argumento jurídico - que só apareceu no final dos debates, quase como um desespero - os defensores do "não" foram desonestos intelectualmente. Distorceram e massacraram o debate, transformando as divergências em mera questão legal, quando o que sempre esteve em jogo foi uma opção política. Deu no que deu.

Enquanto não houver um campo progressista suprapartidário que discuta em conjunto e com seriedade os problemas de nossa micronação, estaremos sempre condenados a chafurdar na merda dos debates mesquinhos, baseados em "pequenezas" técnico-burocratas. Quando um argumento ideológico é combatido com uma lógica jurídica, quem mais perde é a democracia da nossa simulação de país.

Em 1997, o PV foi fundado com o lema "Vanguarda, Ecologia e Socialismo". Ao perguntar a Rafael Braga sobre o papel da vanguarda nos dias de hoje, ele me disse que "é ter a coragem de se posicionar com um discurso ousado, firme, dissonante da média com pão e manteiga que é servida todos os dias na Lista Nacional". Quando perguntei ao Veloso o que era ser de esquerda no micronacionalismo, ele me disse que era "preciso lutar contra o pensamento dos partidos sem ideologias, que pregam o amiguismo [,] (...) fazer a luta pela coletivização das ações e a democratização radical do governo".

Estamos todos falando a mesma coisa.

Candidato único?

É preocupante a falta de candidatos a cargos eletivos em Porto Claro. Podemos caminhar para mais uma eleição com candidatura presidencial única e menos candidatos que vagas para o Senado. E o dia que não houver mais candidatos?

Adamastor, o burocrata

Adamastor trabalha no Senado e acredita nos políticos portoclarenses. Está aguardando o pacotão do governo para comprar a nova TV da sala.

A Imprensa e Frente Plural

É assustadora a falta de interesse jornalístico dos órgãos de comunicação de PC. Quase todos já deram algum palpite sobre a atual conjuntura da FP. Nenhum buscou informações apuradas e se dedicou a realmente compreender o que acontece por lá. Desconhecem o formato da organização interna, o que levam a tecer análises baseadas em fatos irreais.

Se o Presidente Gustavo resolver tentar a reeleição, dificilmente será impedido, já que o estatuto interno da FP prevê a realização de eleição primária aberta no caso do consenso não ser estabelecido (o mais provável cenário), o que significa que a FP transfere o poder de decisão à população.

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado

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11.1.07 • 20:09
Política etc
Fabiano Carnevale

Investigação Cor-de-Rosa

A investigação levada a cabo pelo governo contra Armando de Kergaz é digna de uma história da "pantera cor-de-rosa". Sigilosa e exaltada pelo governo, a investigação teve ser ápice na semana passada, quando o investigado pediu educamente que o governo retirasse sua permissão de administrador do site da ANN. Enquanto o governo jogava para a platéia, o "perigoso meliante" (que era um prócer do governo até pouco tempo atrás) podia ter usado e abusado do site oficial.

Os burocratas do governo já se apressaram para justificar como uma "falha técnica" a não-retirada do ex-diretor. Se a investigação corresse de forma transparente, teríamos mais chances de uma comunicação intra-ministerial e mais ainda, de uma fiscalização da sociedade e quem sabe, teríamos identificado e corrijido o erro antes.

É importante não perder a perspectiva de que somos uma simulação de política e diplomacia e não uma simulação de polícia e tribunais. Uma coisa leva a uma democracia ativa e transformadora, a segunda nos leva a ser uma mera repetição da idiotice dos Estados macro.

Recordar é viver?

É vil a estratégia utilizada por alguns próceres do PSDN para marcar o ex-presidente Sávio com um crime cometido há algum tempo. Se fosse para recordar todos os passados, seria justo também que Francisco Russo assumiu seu primeiro mandato dando o que hoje seria considerado um "golpe branco". Ou que Paulo Azize fraudou o maior sistema micronacional de entretenimento já criado, o E-Stadium, para beneficiar seu time de futebol. Ou ainda que Ricardo Jr./Luiz Monteiro são co-autores do ato mais hostil praticado pelo Estado portoclarense desde a II Guerra Civil. A diferença entre os crimes do Sávio e desses três, é que o primeiro foi condenando e cumpriu sua pena. Já o resto...

Inútil

O Çábio da República considera inútil um debate que movimenta 300 mensagens num mês.... Ou o Çábio não gosta de debates ou não gosta de micronações. Afinal, o Çábio quer uma simulação de país ou quer jogar Civilization?

As 3 perguntas

Na primeira série de "3 perguntas para:" fomos brindados com um pouco da enorme diversidade de pensamentos e idéias que temos no nosso país. Francisco Russo, Edson Veloso e Rafael Braga discorreram sobre temas que passo a tratar a partir da semana que vem, tentando promover algum tipo de diálogo com as respostas apresentadas.

Plebiscito

Esqueça todo o contorcionismo conservador para justificar a pena de expulsão e a declaração de guerra. Do dia 12 ao 19, Porto Claro terá mais uma oportunidade de demonstrar sua convicção pacifista e democrática. Acima de toda a retórica pragmática da "segurança", estaremos votando no projeto de simulação de país que queremos. Vote SIM!

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado

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3.1.07 • 19:27
Política etc
Fabiano Carnevale

A Pobreza do Micronacionalismo

A comparação feita pelos senadores Luiz Monteiro e Edson Veloso entre o episódio Kergaz e a pobreza no Brasil ultraja o micronacionalismo. Além de ser um drama digno de uma reprise de novela mexicana, confunde e distorce as simulações de países.

Comparar uma vida miserável no Brasil, onde condições humanas fundamentais não são respeitadas, com uma fraude em uma simulação de país - que é uma "brincadeira" de uma minoria abastada -, menospreza o situação do primeiro e mascara as motivações do segundo.

Os senadores precisam deixar o computador de lado e fazer uma visita à Brasília Teimosa ou ao Complexo do Alemão. Lá encontrarão muita gente sem saneamento, urbanização, segurança ou propriedade. Poderão ver que por lá há pouquíssimos computadores, duvido que encontrem algum micronacionalista e duvido ainda mais que encontrem um paple.

Para os nobres senadores, o micronacionalismo é tão importante quanto o dia-a-dia de um brasileiro pobre. Pobre micronacionalismo.

Uma Década

Entro em meu trigésimo ano de vida e no décimo de micronacionalismo. Depois de 1 ano e meio assumindo mandatos públicos, o cansaço já me persegue. As reformas na casinha já começaram. A construção da sede da Editora Cunani também. Sair dos gabinetes empoeirados para uma sala incrustada na floresta de Pirraines será um alívio.

Os Argumentos do Comendador

Contando por alto, do dia 21 ao dia 30 de dezembro, o Comendador Monteiro me chamou de "doente" 35 vezes, isso mesmo: 35. Durante o mesmo período, no ranking do ódio, constava: 10 vezes em que me chamou de "nojento", 8 de "complexado", 5 de "repulsivo" e 4 de "asqueroso". Incluem-se também na vasta lista de elogios feitos a mim pelo Comendador alguns carinhos como "idiota", "escroto", "pobre diabo", "ferida podre" e "louco". O Comendador agora quer uma CPI para julgar minha falta de decoro.

Tia Fátima, a professorinha

Tia Fátima dá aulas numa escola pública de Pirraines e gostaria de saber o que o Presidente da República quis dizer quando afirmou que as "pessoas que estão no Maison conquistaram o serviço por “competência, não por voto (...) diferentemente do Senado". Não sabe se ele quis apenas valorizar o serviço prestado pela burocracia da Maison, ou se estava dizendo que os eleitores costumam eleger incompetentes, o que, no fundo, poderia explicar a ascensão do Príncipe ao Palácio Diamante.

Afogando o sedento

Para ilustrar sua defesa às restrições dos direitos fundamentais, o Presidente da SCJ disse que as correntes políticas defensoras radicais da liberdade e da democracia eram como se "para combater a sede, afogássemos o sedento". O juiz propõe que combatamos a sede proibindo a água.

Cordão dos puxa-sacos

De uma mente livre e fatigada do governo: "o maior problema do Presidente é só gostar de quem lhe puxa o saco, quem lhe critica é repreendido, ou pela lista do governo, ou pelo MSN". Está explicada a ascensão do PSDN no governo e de ser esse o primeiro partido no qual a cúpula já começou a apoiar publicamente a reeleição do Príncipe.

3 Perguntas para: Rafael Braga

O PV acabou?

Acho que sim. Será uma surpresa muito grande se o PV levantar-se de sua letargia atual, talvez apenas se surgirem novas lideranças que oxigenem e tragam nova força ao PV, fora isso fica muito difícil.

Ainda existe espaço para o PV na política portoclarense?

Existe sim, sem dúvida: o programa político do PV é forte e diferenciado. O problema é que o PV perdeu muitas de suas lideranças e acabou por se tornar um Partido burocrático, o que, sem dúvida, ele não nasceu pra ser.

O que é ser de vanguarda hoje em Porto Claro?

Acho que isso não mudou muito, pois ser de vanguarda é ter a coragem de se posicionar com um discurso ousado, firme, dissonante da média com pão e manteiga que é servida todos os dias na Lista Nacional. É ter a coragem de bater de frente com os "talebans do atraso" que a gente vê por aí e enfrentá-los sem medo, encarando-os de frente.

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado

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21.12.06 • 00:43
Política etc
Fabiano Carnevale

Uma invasão de idéias

Num país onde alguns homens de poder se orgulham de ter criado um país mais "seguro" através de leis e muitas regras, o Senador Elias Oliveira é um daqueles cidadãos que contribuem de verdade para que Porto Claro tenha hoje um robusto sistema de páginas e armazenamento. Não muito afeito aos holofotes da Lista Nacional, intervém sempre quando a situação chega aos limites do conservadorismo insuportável e quase sempre nos brinda com excelentes pontos-de-vista sobre a realidade do país. O e-mail enviado por ele sobre os recentes "ataques" é um primor pelo rigor da análise dos fatos e pelo afastamento que consegue ter da paixão exalada pelos quatro cantos do país durante essa discussão.

Para ele, a grande guerra a ser vencida é a de idéias. Se queremos vencer uma micronação que simula o atraso e submissão, precisamos aprofundar e divulgar ao micromundo nossa predisposição com a democracia e as transformações sociais. O Senador acredita que "por incrível que pareça, para quem olha aquela lista nacional (de Reunião) vê um governo mil vezes mais transparente que o governo portoclarense". Qualquer pessoa do micromundo pode visitar as loucuras do Imperador. Algumas vozes de Porto Claro querem fechar mais ainda o país, segregando turistas por sua origem micronacional.

Com refinada ironia mas sem perder a seriedade, fala que o "cidadão de Reunião já é naturalmente isolado do resto do micromundo, com um governo tão perfeito, tão transparente, por quais motivos teria de ficar lendo 4, 5 ou 6 jornais diferentes de diferentes micronações (se é que existem tantos jornais assim)". Dessa forma, "não há motivos, ele vê um governo trabalhando, tem empresas trabalhando, partidos ativos, suas pseudo liberdades".

Como resposta, o Senador sugere " palestras muito bem divulgadas, cursos igualmente muito bem divulgados, torneios de qualquer jogo de qualquer das micronações aliadas (...), qualquer coisa que tenha uma boa divulgação e que principalmente, invada a lista nacional de Reunião. Vai lá um cidadão portoclarense qualquer com visto de turista somente para marcar a sua presença, mostrar que PC existe, e vai jogando as nossas propagandas lá também, seja no rodapé das mensagens enviadas ou encaminhando as propagandas oficiais mesmo".

Precisamos mostrar para os cidadãos que vivem sob ditaduras no micromundo que, como bem disse o Senador Elias, "existe vida fora da caverna". Isso não uma questão de bom-mocismo (ainda que a política e a diplomacia devessem ser coisas de bons moços e moças) e sim de bom-senso. Sem maiores ilusões de subverter o regime reunião, mas reafirmando a fronteira entre uma ditadura boa de propaganda e uma democracia plural e pacifista. Simples e eficaz.

Falcões

Quando George W. Bush disse em 2001 que a "nossa nação também necessita de uma estratégia clara para enfrentar as ameaças do século XXI, ameaças que são mais dispersas e menos declaradas. (...) Para proteger nosso próprio povo, nossos aliados e amigos, necessitamos desenvolver e expandir defesas eficientes (...) " não estava pensando no micromundo. Mas, quando o Presidente da Suprema Corte portoclarense disse sobre os ataques de mailbomb que "trata-se de insegurança generalizada em todas as micronações livres e independentes" e que "algo há de ser feito de modo cooperativo entre todos os defensores da paz e da liberdade micronacional para que minimizemos e, quiçá, extinguamos esta sensação de insegurança que todos sentimos neste momento (...) [,] precisamos nos unir para que não existam mais vítimas dessa estória", ele provavelmente pensava em Bush. Ou então, é um caso típico - e comum - de citação platônica.

Adamastor, o burocrata

Adamastor trabalha na burocracia Senado, considera Luca Dalbianco o maior Senador que este país já teve e está agora se empenhando para organizar uma milícia chamada Célula de Defesa da Democracia, para expulsar a paus e pedradas qualquer reunião que ouse cruzar nossas fronteiras.

3 perguntas para: Edson Veloso

O que é ser de esquerda no micronacionalismo hoje?

Ser de esquerda no micronacionalismo hoje é, antes de tudo, algo extremamente desgastante. É preciso lutar contra o pensamento dos partidos sem ideologias, que pregam o “amiguismo”, e ser de esquerda é isso. Ter um partido socialista, fazer a luta pela coletivização das ações e a democratização radical do governo. Um governo literalmente feito por aqueles que estão na nação. Ser de esquerda no micromundo é, antes de tudo, uma afirmação de que é possível construir um projeto extremamente socialista, igualitário e, ao mesmo tempo, fraterno e que tome conta das pessoas. Uma afirmação de que a maior preocupação, a maior obra, é o cuidado com as pessoas.

Qual é o espaço da esquerda na política portoclarense?

Pequeno de fato. No meu entender, a Frente Plural é um movimento amplo e não, de fato, um partido comprometido com a construção de um projeto de características populares. Sendo assim, fica só o Partido Socialista Libertário fazendo esse papel. Que de fato, como já disse, é extremamente desgastante. A característica das pessoas que hoje ocupam Porto Claro é de acreditar no fim das ideologias, no pós-modernismo, na mutação e na não-existência de determinantes na sociedade. É preciso partir pra esse convencimento, assim como também é preciso apaixonar as pessoas por um projeto de democracia radical que, ao mesmo tempo, politize a população, mas que também lhe dê forças pra lutar.

Quais são as conseqüências do ataque de mailbomb para as relações entre Porto Claro e Reunião?

Acredito que não há conseqüências imediatas. Uma investigação deve ser feita e, se possível, deve-se achar os culpados. Eu, pessoalmente, acredito ser muito difícil disso ocorrer, já que as questões de sigilo diante das empresas provedoras da internet são muito fortes. Para o micronacionalismo, um ultimato. A tristeza que hoje é vista no semblante dos micronacionalistas portoclarenses deve servir para encher-nos de vontade para a construção de um micromundo unido. Ou revemos nossas diferenças em fóruns comuns e verdadeiramente plurais, e, sendo dessa forma, construímos instâncias para garantir a segurança e a paz micronacional, ou ficaremos à revelia de figuras medonhas como os terroristas da honra imperial, ou seja lá quem for, ou mesmo de estadistas despreparados que não têm cabeça para entender o que é aceitar um grupo terrorista como parte integrante de sua nação.

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado de Porto Claro

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12.12.06 • 14:37
Política etc
Fabiano Carnevale

A lista de suplência tungou o voto popular

Criado para dar ao eleitor mais controle sobre o seu representante, o voto nominal foi um avanço para a democracia portoclarense. Entretanto, os legisladores embutiram nele um mecanismo draconiano, que pune os partidos que não encontram condições de fazer uma lista de suplentes.

Esse mecanismo acaba de tungar um representante da Frente Plural, que será substituído por um representante indicado pelo PSDN. A FP teve 14 dos 31 votos (cerca de 45%), o PSDN teve 8, pouco mais que a metade dos votos dados a FP. As duas bancadas agora são iguais, desrespeitando o resultado das urnas e desequilibrando a representatividade eleitoral exigida pelo jogo democrático. Se um raio caísse no meio de uma reunião da bancada da Frente Plural e nos matasse, mais de 40% dos votos dados pelos eleitores na última eleição seriam jogados no lixo.

Depois de uma eleição na qual tivemos menos candidatos que vagas, agora teremos um Senador biônico, sem voto nominal nem partidário. Será apenas a conseqüência direta de uma "punição" mal-feita da nossa legislação. Em última instância, o cumprimento de uma formalidade se tornou mais importante que a vontade soberana do eleitor. O legislador mirou nos partidos mas acabou atingindo a decisão dos eleitores.

Diário da Corte: Robusto Comendador

Ruborizam-se até os mais fervorosos colaboradores do Príncipe, com a desenvoltura com a qual circula o Comendador pelos gabinetes palacianos. O Comendador palpita sobre quase todos os aspectos da administração pública, chegando a incomodar alguns ministros. O próprio Príncipe já dá sinais de que está insatisfeito por estar sendo ofuscado pela ânsia do Comendador. Sua alteza tem tentado instigar alguns ministros a se manifestarem, imaginando que assim poderá contrabalancear a robusta presença do Comendador.

Adamastor, o burocrata

Adamastor trabalha no Senado, acredita em tudo o que os políticos falam e vai votar "sim" no plebiscito da mudança de servidor da Lista Nacional.

Nos tempos do DP

A recepção dada ao Chanceler de Reunião por algumas autoridades e personalidades do país deixariam Pedro Aguiar orgulhoso de sua criação. E o silêncio do governo chega a constranger.

3 perguntas para: Francisco Russo

Dá para comparar Porto Claro atualmente com a de 97?

Não dá. São épocas muito diferentes, não só na estrutura como também na composição da população. Em 97 não existiam os chamados "dinossauros" nem pessoas vindas de outras micronações - que nem mesmo existiam na época -, eram todos novatos tentando fazer algo pela 1ª vez. Em compensação havia o Aguiar, de enorme influência, sendo que hoje não temos alguém que chegue nem perto desta situação. 1997 foi uma época de descobertas, até mesmo de ingenuidade. Em 2006 praticamente todas as descobertas já foram feitas, a busca é por um meio de melhorá-las ou até mesmo reconstruí-las.

Há jornalismo em Porto Claro?

Acredito que sim. Os Sinos é um exemplo de bom jornalismo, que tem como proposta cobrir os fatos mais relevantes do país. A Chrono tem coberto uma lacuna existente desde o fim d'O Impacto, que é o de apresentar regularmente colunas opinativas. E há ainda o Direto do Beco, com um proposta inteiramente diferente de ambos, que usa o formato consagrado pela "mesa redonda esportiva". Há outros casos de jornalismo em PC, mas creio que estes 3 mostram que Porto Claro ainda tem uma boa imprensa.

Qual o espaço do PSDN na política portoclarense?

O PSDN é um partido tradicional, que continua atuante na política nacional. Ao longo de sua história sempre buscou apoiar projetos de interesse nacional, independente de quem os tenha apresentado, por acreditar que com eles o país pode se desenvolver. O espaço que o PSDN possui na política na verdade não importa, o que importa é que independente de ter grande ou pequena participação em governos ou no Senado o partido sempre busca cumprir sua função, aliando a capacidade técnica de seus integrantes ao princípio democrático que o rege.

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado

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6.12.06 • 15:11
Política etc

Neocon?

Ninguém duvida da legitimidade da meteórica ascensão política de Gustave Lièban. Não há o que se questionar a construção paciente de sua candidatura presidencial. Mas nem o militante mais ferrenho da esquerda da Frente Plural poderia imaginar um governo tão distante dos propósitos e ideais deste movimento político.

Elogia e recebe elogios rasgados das pessoas que mais lutaram para que a Frente Plural e o próprio projeto político pessoal dele naufragassem. Com memória curta, não lembra da fracassada articulação de Luiz Monteiro, propondo uma frente ampla de apoio ao Sávio que isolasse a FP no cenário político. Desgastado publicamente e derrotado eleitoralmente por duas vezes seguidas, Monteiro encontrou no governo Lièban um habitat promissor. Outrora desempregado, ganhou status de Ministro mais influente do governo, sendo o principal porta-voz das políticas de governo.

O Presidente da República gosta de posar de Dilma Roussef (como se isso fosse bom) mas faz governo de José Dirceu. Repete muito "eu faria", "eu fiz", "eu fui", "eu sou", "eu farei". Muita bravata e algumas tentativas duras de fazer valer seu projeto. De ultrajovem rebelde a neoconservador promissor? Os próximos quatro meses nos darão mais clareza sobre o caminho trilhado por Gustave. Até aqui, a opção foi por fazer uma espécie de "governo híbrido", com roupas de projeto renovador mas com um corpo desgastado, envelhecido e lento.

Adamastor, o burocrata.

Adamastor trabalha como revisor de assinaturas e "exposições de motivos" no departamento de "Ordens do Dia Retornadas", que fica situado no subsolo do Senado. Ele acredita em tudo o que os políticos falam na Lista Nacional. Ele acredita que o sistema monetário sairá em breve e acredita na objetividade da ANN. Adamastor acredita que a lista do governo é fechada porque todo governo bom tem lá os seus segredos. Nacionalista, acredita que Luca Dalbianco foi o maior parlamentar que o país já teve e carrega até hoje uma foto autografada do antigo líder do PN.

D. Fátima, a professorinha.

D. Fátima dá aulas de OSPP (organização social e política portoclarense) numa escola pública na capital de Pirraines. Sempre tenta explicar aos seus alunos o sofisticado politiquês portoclarense. Ela acha que, quando o Presidente da República diz que que quer "dividir" e "democratizar" a ANN, ele está querendo dizer que o seu atual diretor não é capaz de organizar um órgão de imprensa oficial a partir do Executivo que seja imparcial, objetivo e preciso e que cubra as notícias do país sem fazer política.

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado de Porto Claro

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29.11.06 • 19:09
Política etc
Fabiano Carnevale

Privacidade de Governo?

O debate sobre a abertura da lista governamental reacende a questão sobre como tratar os assuntos de Estado aqui no país. Sou amplamente favorável a abertura da lista. Não compreendo uma gestão eleita pelo Povo que compreenda que o governo é só do eleito e seus escolhidos. Questões como os relatórios da Chancelaria, deveriam ser postados numa lista da Chancelaria (e ainda assim, com uma lei que permitisse a publicação destes relatórios, no máximo, 2 anos após, pois falar de 5 anos em micronações é demais). A lista de governo pertence a sociedade. O governo não é uma instituição privada, que define suas estratégias num grupo de diretores. Um governo democrático precisa estar sempre disposto a tornar públicos os negócios de Estado.

A abertura da lista do governo reduz o campo de atuação dos governos de caráter, digamos, "não -republicanos", amplia os mecanismos de controle e pressão da sociedade sobre o governo, facilita a resolução de crises entre governo e oposição e demonstra por parte de Porto Claro, a disposição em transformar suas instituições em verdadeiros espaços públicos.

É possível também perceber a inutilidade da "proteção". Se formos contar o número de pessoas que assumiram ministérios nos últimos anos em PC, provavelmente daria mais de 50. Imagino que quase a totalidade da população ativa do país já participou da lista de governo e teve acesso a todos os seus arquivos. Qualquer aliado menos fiel pode "vazar" a lista, se quiser.

Alguém que achou absurda a idéia de abertura da lista, disse que seria tão absurdo quanto uma reunião ministerial do Lula ser transmitida ao vivo. Ora, isso seria extremamente interessante para a democracia de qualquer país. Teria livrado (ou afundado de vez) o Lula de diversas situações embaraçosas, como as críticas aos seus aliados e as dúvidas das pessoas se ele sabia ou não do esquema corrupto que o cercava.

Os Camaradas e Eu

Quem conhece bem a História de PC, sabe que tenho na minha biografia uma longa relação de amor e ódio com os marxistas, socialistas e camaradas em geral. Catapultei o famigerado PMTU ao posto máximo do governo portoclarense, depois de chegar até a dar um curso interno de marxismo (muito criticado por citar apenas o jovem Marx, a fase mais interessante e libertária do velho alemão).

Obsevando a estratégia golpista dos camaradas, comecei a expor as fragilidades do pensamento político dos camaradas, como articulista de um jornaleco próximo ao regime estalinista então instalado. Meus artigos já vinham com respostas prontas dos camaradas.

A caravana passa, e me vejo às voltas com mais "acusações" vindas diretas dos escombros do muro de Berlim. Agora, é o "neocamarada" que busca me atingir e acaba por fazer o jogo do grupo mais reacionário do país.

Sempre busquei a aproximação do neocamarada com a Frente Plural, ou, pelo menos, com a "esquerda" da FP e sempre fui rechaçado. Continuo a considerá-lo um dos personagens mais interessantes que apareceram em PC nos últimos anos, mas a seguir a tendência sectária que persegue boa parte dos socialistas, vamos sempre estar em caminhos divergentes. Principalmente, quando for protagonista da novela reacionária dirigida pelo juiz e pelo xerife.

Plenário Cheio

É fácil descobrir a diferença entre perseguição e bom jornalismo. A ANN diz que está atenta ao Senado e foi até capaz de perceber um pequeno erro do tipo "ctrl+c/ctrl+v" no encerramento da última OD. Só que perdeu a grande notícia do mês: novembro de 2006 entrou para a História do Poder Legislativo como o mês de maior atividade do Plenário.

Fabiano Carnevale
Presidente do Senado

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